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“Dinheiro não traz felicidade, mas compra”?

Douglas Barbosa 07/12/2020 18:26

Do ditado popular àquele quadro engraçadinho que você ganhou no último amigo secreto da firma, essa frase revela uma certa maneira de olhar o mundo: algumas pessoas acreditam que não há quantia que as torne mais felizes. Outras acham que o dinheiro é uma forma de viabilizar coisas que amam.

Há quem diga, ainda, que o salário mágico da felicidade no Brasil é de R$15 mil – um valor bem irreal para a maior parte da população.

Mas de onde vem esse número? Existe uma resposta científica para isso?

Spoiler: sim.

 

O cálculo financeiro da felicidade

Dinheiro traz felicidade? A resposta curta é sim. Mas depende. Na verdade, nem sempre.

A verdade é que essa é uma pergunta bastante filosófica. Mas isso não impediu economistas e outros estudiosos de tentarem chegar a uma resposta científica para esse dilema.

Um dos primeiros a investigar foi Richard Easterlin. Em 1974, ele descobriu que, embora pessoas mais ricas fossem geralmente mais felizes que as mais pobres, os países mais ricos não eram mais felizes como um todo. A premissa do Paradoxo Easterlin é que a renda relativa é mais importante que a absoluta. Ou seja, as pessoas tendem a ser mais felizes se forem mais ricas que os outros a seu redor.

Acelere para os anos 2000. Dois pesquisadores na Universidade da Pensilvânia, Betsey Stevenson and Justin Wolfers, defenderam que, sim, nações mais ricas são mais felizes – e afirmam que seus dados são mais confiáveis que os de Easterlin, pois não havia pesquisas suficientes sobre países mais pobres naquela época.

Quanto dinheiro para ser feliz? É isso que um outro grupo resolveu investigar. Em 2018, pesquisadores publicaram um estudo na revista Nature defendendo que a relação entre dinheiro e felicidade é uma parábola.

Em outras palavras: segundo a pesquisa, o aumento de renda acompanha o aumento de satisfação com a vida – até um certo ponto. A partir de um valor específico, o movimento oposto acontece: quanto mais dinheiro ganham, menos felizes as pessoas se tornam.

Tem um cálculo para descobrir o ponto máximo. A partir da pesquisa, que envolveu dados de mais de 1,7 milhão de pessoas ao redor do mundo, o número mágico – aquele que faz uma pessoa atingir o que os cientistas chamaram de satisfação máxima com sua avaliação de vida –  varia de acordo com onde cada um vive.

Na média, o salário que faz alguém atingir o ápice da felicidade é de US$ 95 mil por ano – cerca de R$ 510 mil, atualmente, ou um salário mensal de pouco mais de R$ 42 mil.

Mas há tipos diferentes de felicidade. O estudo ainda fala de um sentido mais amplo desse sentimento – uma felicidade no dia a dia, com mais emoções positivas do que negativas. Para atingi-la, o valor estabelecido pelos pesquisadores foi de US$ 60 mil a US$ 75 mil por ano (algo entre R$ 27 mil e R$ 34 mil mensais no Brasil). Essa conta, no entanto, é individual: se uma pessoa tiver filhos ou outras pessoas para sustentar, por exemplo, ela já não se aplica.

Menos dinheiro para ser feliz no Brasil? O valor de US$ 95 mil é uma média mundial. Os pesquisadores estimaram a quantia “ótima” também por região e chegaram à conclusão de que, na América Latina, o ápice da felicidade seria com US$ 35 mil anuais –  um salário mensal de aproximadamente R$ 15 mil no Brasil.

Esse valor é irreal para a maioria dos brasileiros. A renda familiar per capita no Brasil é de R$ 1439, segundo o último levantamento do IBGE. O desemprego no país chegou a 14,6% em 2020. As pessoas são infelizes então?

Não é assim também. Como comentamos no início, o sentimento de felicidade é amplo, filosófico e envolve diversos aspectos. O que os pesquisadores buscaram fazer foi isolar um único fator – a renda – e entender como ela afeta a satisfação com a vida. O mesmo poderia ser feito para investigar se pessoas com filhos são mais felizes, por exemplo.

Dinheiro é importante. É ele que paga as contas, resolve perrengues, viabiliza sonhos e melhora nosso futuro. Mas a organização financeira também melhora (muito) a vida – e é mais fácil de realizar do que ganhar R$ 15 mil por mês.

 

Via Nubank

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